IV Sebramus - DEMOCRACIA: DESAFIOS PARA UMA UNIVERSIDADE E PARA UMA MUSEOLOGIA (2019)


 

APRESENTAÇÃO:

“Continuam, os profissionais de museus, falando apenas de si mesmos e para si mesmos? Que é que eles são da sociedade? Nenhum universo de trabalhadores, como nos situamos e agimos? ”. Com os questionamentos, a museóloga Waldisa Rússio problematizou, em 1989, uma função dos museus e a ação política dos seus respectivos dias em um grande número de práticas museológicas e de ensino da Museologia, sustentou em discursos conservadores e, por vezes, antidemocráticos. Exatamente depois disso, as pessoas continuam a ser úteis para traduzir o lugar dos museus e do ensino dos processos museológicos em um mundo marcado pela polarização dos políticos, pelas intolerâncias diversas e pela crescente precarização dos direitos sociais.

Na década de 1970, quando os países latino-americanos estavam sob um esquema de regimes ditatoriais, o campo da Museologia, foram impactados pela crítica dos movimentos, pela contracultura e por diferentes discursos de descolonização, como uma resposta às reflexões da Mesa Redonda de Santiago sobre o papel social dos museus. A proposta foi a criação de uma Associação Latino Americana de Museologia para a articulação de diferentes dimensões que evidencia uma integralidade do patrimônio ea capacidade política de múltiplas experiências museológicas.

No contexto brasileiro, o campo dos museus e da Museologia evidencia profundas transformações no processo de redemocratização, especialmente em razão do impacto das discussões sobre a diversidade cultural, o poder da memória e os direitos e liberdades fundamentais inscritos na Constituição de 1988. Temáticas como o reconhecimento dos saberes das clássicas; o tombamento de bens para então não-consagrados e o registro do patrimônio intangível; e os debates sobre novos direitos sociais e políticos; contribuíram para uma ampliação dos estudos das interseccionalidades de gênero, classe, raça e sexualidade. A partir das transformações pautadas no exercício da diferença, houve um movimento coletivo e de alcance internacional, por exemplo, uma discussão sobre os processos populares e sociais. Tentou-se delinear os contornos epistêmicos das experiências que contribuíam para o Brasil se tornasse um dos principais laboratórios de articulação entre museus e ciências sociais, o que propiciou o percurso que resultou, por exemplo, na Política Nacional de Museus; na criação do Instituto Brasileiro de Museus; no Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI), com abertura de cursos de Museologia nas cinco regiões do país; e na eclosão de diferentes pontos e redes de memória e Museologia Social. na Política Nacional de Museus; na criação do Instituto Brasileiro de Museus; no Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI), com abertura de cursos de Museologia nas cinco regiões do país; e na eclosão de diferentes pontos e redes de memória e Museologia Social. na Política Nacional de Museus; na criação do Instituto Brasileiro de Museus; no Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI), com abertura de cursos de Museologia nas cinco regiões do país; e na eclosão de diferentes pontos e redes de memória e Museologia Social.

Se por um lado essas experiências impactaram o ensino e a pesquisa contemporânea, em outra perspectiva também são profundamente impactadas por uma nova dinâmica de governabilidade, de reformas políticas e de transformações na agenda das políticas culturais em âmbito nacional e internacional. Entre deslocamentos simbólicos e fluxos migratórios evidencia-se uma crise na democracia representativa com fortes consequências na política da memória, caracterizada por fenômenos transnacionais de opressão, pelo crescimento de grupos ultraconservadores e pelo silenciamento dos espaços de expressão da diferença.

Especificamente no âmbito dos museus surgem debates em torno da repatriação de coleções; de questões éticas sobre os “objetos sensíveis” museografados; das políticas de musealização do efêmero; da cibermuseologia; da representação de minorias nem sempre numéricas; e das múltiplas formas de censura nos espaços de memória. Em meio a essas tensões, nas últimas décadas surgiram estratégias de enfrentamento realizadas no campo epistêmico da Museologia nas interfaces com as temáticas dos direitos humanos, o ensino e a ética profissional. Essas experiências evidenciam alternativas de resistência e de reafirmação dos valores democráticos, tornando-se exemplares na reconfiguração de memórias silenciadas e de subjetividades reprimidas.

Esse contexto evidencia um momento fecundo para a problematização do presente e do futuro da democracia. A própria história dos museus e do colecionismo como fruto do empreendimento colonialista se reveste de temática oportuna para refletirmos sobre a geopolítica do conhecimento. Se atualmente existem retrocessos em relação às conquistas democráticas efetuadas nas últimas décadas, também existem resistências e utopias oriundas de diversas práticas culturais. Sem dúvida, surgem desafios para a Universidade, para a Museologia e para os museus: Quais os compromissos da Museologia na atual conjuntura política? Que alterações têm ocasionado na ação do museólogo? Em que medida as transformações na esfera pública evidenciam perspectivas de compreensão de nosso objeto do conhecimento? Quais as novas demandas por musealização, acessibilidade, educação museal e representatividade? Em que medida os professores e pesquisadores do campo da Museologia têm contribuído ou desestimulado estratégias de integração, reflexões sobre a pluralidade da representação e os debates sobre a ampliação/restrição dos espaços democráticos?   

Algumas das respostas a esses desafios podem ser encontradas na própria história da Museologia, reconhecendo as estratégias de profissionais que, no passado, ousaram lutar em prol da democratização da política da memória e contra as diversas formas de preconceito. Outras reflexões surgirão dos diálogos promovidos no IV Seminário Brasileiro de Museologia cuja temática consiste em oportuno convite para que professores, pesquisadores e grupos de interesse reflitam sobre os desafios da área em um contexto de profundas transformações sociais, políticas e epistêmicas.

Evidentemente a realização do seminário em Brasília se transforma em ato fortemente emblemático na medida em que na capital do país se decidem questões fundamentais para o futuro da democracia e que, por sua vez, reverberam nos diálogos, nas tensões e nos sentidos atribuídos ao mundo dos museus. Não menos significativo é ser sediado na Universidade de Brasília, instituição que protagonizou alguns dos principais movimentos de resistência e de luta em defesa dos ideias democráticos no Brasil.

O IV Seminário Brasileiro de Museologia pretende se consolidar como um amplo espaço de debates no intuito de compreender em que medida a produção científica tem acompanhado as transformações das últimas décadas e os compromissos assumidos em defesa da democratização do conhecimento. Isso é importante no momento em que surgem iniciativas visando analisar as heranças e os paradigmas da produção do pensamento museológico e suas interfaces com as diversas áreas do saber. As reflexões do seminário pretendem evidenciar os compromissos éticos, os dilemas contemporâneos e as diferentes propostas teóricas e metodológicas que ganham força no campo da Museologia, reconhecendo os processos museológicos como espaços de poder que produzem modelos disciplinadores e práticas, poéticas e políticas libertárias.

 

CRONOGRAMA:

Etapa 1 

 03/10/2018  

 Divulgação do Edital.   Acesse Aqui !!!!  

Etapa 2           

 03/10/2018 Recebimento de propostas de Submissão de Grupos de Trabalho?simpósios temáticos Via formulário online.            Envie por AQUI !!!
                                                   04/11/2018                                                      Data limite para envio de ficha de submissão de proposta de Grupos de Trabalho por membros da Rede de  Professores e Pesquisadores do Campo da Museologia.

 

 Etapa 3
 09/12/2018  Divulgação das Grupos de Trabalho aprovados pelo Comitê Científico e início das inscrições de propostas de Comunicações              
 Etapa 4                                                                24/02/2019                                                                                                                   Data limite para envio das propostas de Comunicação, em forma de resumo expandido - entre 1.800 (hum mil e oitocentos) e 2.500 (dois mil e quinhentos) caracteres com espaços, por meio da ficha de submissão, segundo instruções do item 5. Não haverá cobrança de taxa de submissão.

 

Etapa 5 20/03/2019 Data limite para envio, pelos coordenadores dos Grupos de Trabalho, dos títulos das comunicações que comporão sua sessão e sua organização em mesas.

Etapa 6                        10/04/2019             

Divulgação das comunicações selecionadas pelos coordenadores dos Grupos Temáticos.

 

Etapa 6
10/05/2019

Data limites para pagamento de inscrição dos comunicadores selecionados.

 

Etapa 7                            01/06/2019                                                         Divulgação da programação preliminar do IV SEBRAMUS.
Etapa 8   30/06/2019           Divulgação pública da programação final do IV SEBRAMUS.
Etapa 9 01 a 29/07/2019 Período de inscrições para ouvintes. Acesse Aqui !!!!

 

 

 

Etapa 10 – 29/07/2019 a 01º/08/2019

Realização do IV Seminário Brasileiro de Museologia

 

Etapa 11 – 19/08/2019

Entrega do artigo em versão final para publicação, segundo as normas descritas no item 9 do edital.

 

 

 


 

Comissão de Organização do IV Seminário Brasileiro de Museologia / Universidade de Brasília ( UnB)
Profa. Dra. Ana Lúcia de Abreu Gomes ( UnB)
Profa. Dra. Andrea Considera ( UnB)
Prof. Dr. Clovis Carvalho Britto - coord. ( UnB)
Profa. Ms. Deborah Silva Santos( UnB)
Profa. Ms. Elizângela Carrijo( UnB)
Prof. Dr. Emerson Dionisio Gomes de Oliveira - coord. ( UnB)
Profa. Dra. Monique Magaldi - coord. ( UnB)
Profa. Dra. Maria Margaret Lopes( UnB)
Profa.Ms. Marijara Souza Queiroz( UnB)
Profa. Ms. Luciana Magalhães Portela( UnB)
Profa. Ms. Silmara Küster de Paula Carvalho( UnB)

 

Comitê Científico do IV Seminário Brasileiro de Museologia 1

Dra. Alice Semedo – Universidade do Porto, Portugal
Dr.Bernardo Javier Tobar Quitiaquez - Universidade de Cauca, Colômbia
Dr.Bruno César Brulon Soares – Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro
Dra.Cláudia Penha dos Santos – Museu de Astronomia e Ciências Afins
Dr.Clovis Carvalho Britto – Universidade de Brasília/Universidade Federal da Bahia
Dra.Elaine Reynoso Haynes – Universidade Nacional Autônoma do México, México
Dra.Irina Podgorny – Universidade Nacional de La Plata, Argentina
Dr.Jesus Pedro Lorente – Universidade de Zaragoza, Espanha
Dra.Luisa Gertrudis Duran Rocca – Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Dra.Maria Lúcia de Niemeyer Matheus Loureiro – Museu de Astronomia e Ciências Afins
Dra. Maria Margaret Lopes - Universidade de Brasília / Universidade de São Paulo
Dr.Miruna Achim - Universidade Autônoma Metropolitana, México
Dr.Vagner Carvalheiro Porto - Universidade de São Paulo

  

 


 

LOCAL:  Campus Darcy Ribeiro - Universidade de Brasília (UnB)

Data do evento:   29 de julho a 01 de agosto de 2019

E-MAILS:   Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

 

 


 

REALIZAÇÃO:

CURSO DE MUSEOLOGIA DA UnB

 

REDE REDE DE PROFESSORES E PESQUISADORES DA MUSEOLOGIA

Prof. Ms. Bruno Melo de Araújo - UFPE 

Profa. Ms.Gleyce Kelly Heitor - UFG

Profa. Dra. Monique Magaldi - UnB

Profa. Dra.Verona Campos Segantini - UFMG